terça-feira, 20 de novembro de 2007

Álcool ou gasolina: saiba qual escolher na hora de abastecer

O governo não vai intervir no mercado de álcool para conter a alta do
preço do combustível. De acordo com o ministro-interino de Minas e
Energia, Nelson Hubner, caberá ao consumidor conter a escalada dos
preços. Segundo ele, com o aumento da frota de veículos com motores tipo
flex (movidos a álcool ou gasolina), o consumidor agora tem a opção de
comprar gasolina caso o preço do álcool não seja atrativo.

De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos
Automotores (Anfavea), o Brasil tem três milhões veículos flex e até
2013 o número deve saltar para 15 milhões, o que representará 52% do
total da frota nacional, estimada em 29 milhões.

"O produtor do álcool, se não vender por um preço bom, simplesmente vai
perder mercado", afirmou. "Nem eu vou usar álcool, se tiver um preço
acima da gasolina".

O presidente da Associação de Engenheiros Automotivos (AEA), José Edson
Parro, explica que não vale a pena abastecer com álcool quando o preço
exceder 70% da gasolina. Segundo ele, a conta é simples: basta dividir o
preço do litro álcool pelo o da gasolina. Se o resultado for menor que
0,70, o álcool é a melhor opção. Se optar por usar os dois combustíveis,
a melhor relação custo/benefício para um veículo flex seria utilizar 85%
de gasolina e 15% de álcool.

"Por exemplo, em um posto o litro do álcool custa R$ 1,82 e a gasolina,
R$ 2,40. Dividindo 1,82 por 2,40, o resultado é 0,758. Como foi maior
que 0,70, a gasolina é a melhor opção", exemplificou.

De acordo com dados da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz
(Esalq) da USP, o preço do álcool hidratado (usado diretamente em
automóveis) nas usinas começou a aumentar na primeira semana de
novembro, e alcançou R$ 0,71 o litro. Desde o final de maio, o preço
estava oscilando em valores próximos a R$ 0,60 por litro.

Para o presidente da AEA, em valores absolutos, o litro do álcool é mais
barato que o da gasolina, mas, por outro lado, o combustível produzido a
partir da cana-de-açúcar é 30% menos eficiente.

"Como a entressafra da cana-de-açúcar vai de janeiro a abril, é bem
provável que o preço do litro do álcool continue a subir nos próximos
meses", previu Parro. "Mas se o consumidor exercer seu poder de pressão
e deixar de usar álcool, a tendência é de queda de preços".

O consultor técnico da Sociedade de Engenharia da Mobilidade, Luso
Ventura, alertou que a guerra de preços entre postos de combustíveis
pode deixar o consumidor mais vulnerável às ações das máfias de
"combustíveis batizados".

"Economizar é fundamental, mas preço muito baixo é forte indicativo de
adulteração", destacou. "O motor começa a falhar, o consumo aumenta
muito e o carro perde potência. Por isso, é sempre bom abastecer em um
posto de confiança".

Apesar de não estar disposto a intervir diretamente no mercado, o
governo analisa a possibilidade de criar mecanismos que diminuam a
volatilidade do preço do combustível ao longo do ano. Nos meses de
safra, o preço do álcool cai com o aumento da oferta e, na entressafra,
sobe com a diminuição da produção. Entre as propostas está a criação de
contratos de longo prazo no mercado interno, com a comercialização do
combustível no mercado futuro.

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